A identidade autoral de Augusto Tomás, já na charneira entre o passado e o séc.XXI, anulou um passado de namoro de Octávio Gonçalves, com a faculdade de Direito de Coimbra, assegurando-lhe um visto, no passaporte para o mundo das Artes Plásticas.
Octávio Gonçalves nasceu em Lisboa, 1956. Da Beira ao Porto, de Coimbra aos Açores, de Lisboa às Africas e de novo às terras de fronteira, o artista fez-se a partir de uma vida impetuosa e plurifacetada.
A aceleração do currículo artístico de Augusto Tomás, num percurso cronológico tão curto quanto intenso, atribuem algo de perturbador e muito fascinante a uma carreira de escultor que surge ex abrupto, nascida já semi-adulta, como se os estádios que, convencional e supostamente devessem precedê-la, tivessem sido assimilados por download, enxertia genética, ou possessão diabólica.
Compreenda-se, também, que o trabalho deste artista plástico, autodidacta radical, portador, no singular, de incomum intuição, postule – por essa tão pouco trivial razão – algumas interrogações que se prendem com a fiabilidade do seu dom original, com a genuinidade da sua, surpreendente e invejável, criatividade!
É um escultor por paixão, com aprendizagem consciente em experiências sucessivas no desenrolar do tempo, corporizando o sonho da sua própria imaginação.
Augusto Tomás extravasou e explorou as potencialidades de novos e distintos materiais. A sua escultura – reproduzida em ferro, mármore, granito e madeira – fundem-se, confundem-se, irmanadas, unificadas, no tempo da criação, resultando a expressão dinâmica dum Belo sonhado
Para ele, a Escultura é um ensaio permanente eloquentemente saboreado em espontaneidade e concluido no amadurecimento da sua percepção criadora.